Parece que todos os dias lemos novas “revelações” de como nações
aliadas espionam outras nações aliadas. Mas ao mesmo tempo que amigos
espionando amigos não é exatamente uma novidade, os Estados Unidos
gastam uma baita grana e inteligência para tentar proteger suas
conversas mais sensíveis – em partes, usando “barracas” portáteis
seguras.
Essas Instalações com Informações Confidenciais Compartimentadas –
SCIF, na sigla em inglês, ou Skiffs, como são conhecidas na indústria da
segurança – foram criadas para bloquear “entrada forçada, entrada
secreta, vigilância visual, espionagem acústica e emanações eletrônicas”
usando uma mistura de detalhes arquitetônicos e sistemas eletrônicos
para se defender de ataques digitais.
Isso não é exatamente uma novidade – sabemos que Obama usou uma em
quartos de hotel e outros lugares não muito seguros em 2011, quando a
Casa Branca publicou uma foto bacana do presidente dentro de uma SCIF no
Rio de Janeiro. Mas as SCIFs estão se tornando mais e mais comuns entre
servidores do governo – especialmente ao longo dos últimos seis
meses, de acordo com reportagem do New York Times.
Então quem é o responsável pelo design dessas engenhocas? E como elas
funcionam² Algumas SCIFs são barracas, como a de Obama, mas há uma
opção popular na forma de um trailer – que pode ser transportada e
preparada em questão de horas. Algumas vezes, um prédio inteiro pode ser
uma SCIF, enquanto outras podem ser instaladas em casas existentes.
Mas as especificações em si são sempre mandatórias de acordo com
uma Diretiva da Central de Inteligência de 2010, que descreve como
proteger uma construção, barraca ou instalação de ouvintes externos ou
hackers. As SCIFs fornecem a primeira linha de defesa para proteção de
“Informações Confidenciais Compartimentadas” (uma forma de certificado
de segurança secreto) de smartphones, laptops, tablets e até mesmo
linhas terrestres.
Como as SCIFs são feitas para distanciar informações
confidenciais do resto do mundo, a Diretiva começa com detalhes
arquitetônicos – como adicionar um vestíbulo e espaços intersticiais de
recepção extra como “enchimento” entre a SCIF e o exterior. Se a SCIF é
um prédio (em vez de uma barraca), precisa ter concreto reforçado ou
revestimento com aço sólido. Tudo desde a profundidade do gesso à
espessura do isolamento é determinada pelo documento também.
A primeira – e mais tradicional – ameaça à vigilância é o som, então
as SCIFs são revestidas com isolamento acústico grosso. Em muitos casos,
dispositivos de mascaramento de ruídos como transdutores são instalados
para adulterar o que está acontecendo lá dentro, também. De acordo com
a BBC, outro tipo de dispositivo emissor de ondas cria um anel de sinais
eletrônicos no espaço, bloqueando outros tipos de eletrônicos de
vigilância, enquanto um revestimento de material especial também
bloqueia o áudio tradicional – parecido com uma Gaiola de Faraday.
Sem surpresa nenhuma, detalhes em metal, como saídas de ar – ou
qualquer coisa que cria um buraco na caixa de concreto – representam um
grande problema para a segurança. Então todos os sistemas de emergência,
dutos e outros sistemas precisam ser “aterrados”, o que significa que
eles não se conectam a outros espaços. É até melhor se não existir
nenhum deles, e neste caso a SCIF precisa ter um fornecimento próprio de
ar.
Da mesma forma, todas as portas devem fechar automaticamente, e as
dobradiças não podem ser removíveis. Portas que dão para alguma saída
precisam ser monitoradas o tempo inteiro – e não podem conter nenhum
hardware virado para o mundo exterior. Todos os tipos de sensores – de
detecção de movimento a detecção de som – emitem alertas quando alguém
entra ou sai do espaço. A SCIF ideal, como você deve esperar, é uma
abóbada de concreto sem janelas que está bem longe de qualquer outro
edifício.
Mas conforme oficiais de inteligência
se tornem mais e mais astutos, mesmo a SCIF mais bem preparada do mundo
não conseguirá evitar vazamentos. É por isso que, como o The New York Times disse recentemente,
algumas agências estão até exigindo que seus funcionários não levem
smartphones em viagens para o exterior. Afinal, um texto solto pode
afundar um navio.
[Gizmodo]
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