Observações detalhadas próximas
do equador de Marte tem revelado escorrimento, possivelmente de água salgada,
que parece expandir colina abaixo com as estações.
As marcas escuras tem tipicamente
menos de 4,8 metros de largura e parecem descer os declives rochosos marcianos
durante a primavera e o verão, mas desaparecem durante o inverno, retornando na
próxima primavera.
Os cientistas têm observado estas
marcas em vários locais do Valles Marineris, um dos maiores desfiladeiros no
sistema solar que se conhece. Nestes
locais, as marcas escuras aparecem na superfície face norte das encostas do
desfiladeiro, tornando-se aparentes quando as encostas recebem mais luz solar. As encostas que possuem suas faces voltadas
para o sul parecem expandir quando as estações mudam e mais luz solar as
atinge.
A melhor explicação dada pelos
cientistas é a de que essas marcas causadas pela água.
“A superfície da região
equatorial de Marte tem sido considerada seca, livre de líquido ou água
congelada, mas teremos que reconsiderar isso“, disse Alfred McEwen,
investigador chefe dos estudos dessas marcas. “A explicação que melhor se
encaixa é a de que água salgada esteja fluindo encosta abaixo quando a
temperatura sobe“, disse o investigador.
“Ainda não temos uma identificação final de água nestes locais, mas
também não há nada que elimine esta hipótese.”
Sais dissolvidos podem ajudar a
manter a água no estado líquido em temperaturas mais baixas do que a do ponto
de congelamento da água pura. Os sais
também diminuem o ritmo de evaporação da água, o que poderia explicar o porquê
destas manchas escuras serem tão longas.
“Quanto mais descobrimos, mais
podemos preencher um mapa global de onde o gelo está enterrado“, disse Colin
Dundas da US Geological Survey em Flagstaff, Arizona, EUA. “Temos visto agora crateras congeladas a até
39 graus norte, mais do que a metade do caminho entre o equador e o pólo. Elas nos dizem que, ou o clima médio por sobre
milhares de anos tenha sido mais ‘molhado’ do que no presente, ou o vapor
d’água na atmosfera atual está concentrado próximo da superfície. O gelo poderia ter se formado sob condições
mais úmidas, com o remanescente da época persistindo até hoje, mas
desaparecendo vagarosamente.”
Os resultados da descoberta foram
apresentados na 46ª Reunião Anual de Outono da União Geofísica Americana, em
São Francisco.

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